Dois anos depois que eu fiz o post aqui no blog me comprometendo a assistir todos os filmes do Studio Ghibli (Animações do Studio Ghibli), aqui estou eu com o primeiro post dessa coletânia. Todos os filmes estão disponíveis na Netflix, até a data da publicação desse post.
Nessa primeira leva estão os oito filmes considerados “iniciais e essenciais”. São filmes que definiram a identidade do estúdio e alcançaram reconhecimento popular e crítico. São obras mais acessíveis emocionalmente (com exceção de Túmulo dos Vagalumes), visualmente marcantes e narrativamente fortes, ideais tanto para introduzir novos espectadores quando para revisitas constantes.
Eles equilibram fantasia e realidade, inocência e complexidade, criando um corpo de filmes que moldou a perceção global da animação japonesa como arte. Para muitos, é aqui que o amor pelo Studio Ghibli começa –, e para outros, onde ele se consolida.
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1. A Viagem de Chihiro (2001)
Título original: Sen to Chihiro no Kamikakushi
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 2h05min
Gênero: Fantasia
Sinopse: Chihiro, uma garota de dez anos, acaba presa em um mundo mágico governado por espíritos após seus pais serem transformados em porcos. Para sobreviver e libertar a família, ela passa a trabalhar em uma casa de banhos comandada pela misteriosa Yubaba. Ao longo da jornada, Chihiro amadurece, enfrenta seus medos e descobre a própria coragem.
Minha Opinião: Essa é uma obra-prima da animação! O filme encanta pela imaginação sem limites, pela animação artesanal deslumbrante e por personagens simbólicos que falam sobre amadurecimento, identidade e empatia. É daqueles filmes que funcionam tanto como fantasia infantil quanto como uma experiência profunda e emocional para adultos, ficando ainda melhor a cada revisão.
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2. Princesa Mononoke (1997)
Título original: Mononoke-hime
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 2h13min
Gênero: Fantasia
Sinopse: Ashitaka parte em uma jornada para encontrar a cura de uma maldição e acaba no centro de um conflito entre humanos e as forças da natureza. Entre esse embate está San, a misteriosa Princesa Mononoke, criada por lobos e disposta a proteger a floresta a qualquer custo. O filme explora o delicado equilíbrio entre progresso, violência e respeito ao mundo natural.
Minha Opinião: Esse é um dos filmes mais poderosos e maduros do Studio Ghibli. Ele se destaca por não tratar o conflito de forma maniqueísta: não há vilões absolutos, apenas interesses opostos, o que torna a história profundamente humana e atual. Com uma animação impressionante e uma mensagem ambiental forte, é uma obra intensa, impactante e inesquecível.
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3. Meu Amigo Totoro (1988)
Título original: Tonari no Totoro
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 1h26min
Gênero: Aventura, Drama, Fantasia
Sinopse: Duas irmãs se mudam para o interior do Japão e passam a vivenciar descobertas mágicas enquanto lidam com a ausência da mãe doente. Nesse novo lar, elas encontram Totoro, um espírito da floresta gentil e misterioso que as acompanha em momentos de imaginação e conforto. O filme celebra a infância, a natureza e os pequenos encantos do cotidiano.
Minha Opinião: É um filme delicado, acolhedor e profundamente reconfortante. Ele não depende de grandes conflitos, mas conquista pela simplicidade, pela atmosfera tranquila e pela forma sensível como retrata a infância e a imaginação. É um daqueles filmes que abraçam o espectador e lembram da importância de desacelerar e observar a beleza das pequenas coisas.
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4. Túmulo dos Vagalumes (1988)
Título original: Hotaru no Haka
Direção: Isao Takahata
Duração: 1h29min
Gênero: Drama, Guerra
Sinopse: Durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial, dois irmãos tentam sobreviver sozinhos após perderem a família em bombardeios no Japão. Enquanto buscam abrigo e comida, eles enfrentam a fome, o abandono e a dura indiferença do mundo ao redor. O filme retrata, de forma comovente e devastadora, o impacto humano da guerra sobre a infância.
Minha Opinião: Um dos filmes mais emocionantes e dolorosos já feitos. Ele dispensa heroísmo ou romantização da guerra, focando na crueldade silenciosa do sofrimento infantil e da perda. A animação delicada contrasta com a brutalidade da história, tornando cada cena ainda mais dolorosa e impactante. É uma obra necessária, belíssima e devastadora, daquelas que marcam profundamente e dificilmente se esquece. Não é um filme fácil de assistir, mas é essencial.
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5. O Castelo Animado (2004)
Título original: Hauru no Ugoku Shiro
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 1h59min
Gênero: Aventura, Fantasia
Sinopse: Sophie, uma jovem transformada em idosa por uma maldição, encontra abrigo em um castelo mágico que se move pelos campos. Lá, ela conhece o enigmático mago Howl e se envolve em uma guerra que ameaça destruir aquele mundo mágico. A história mistura romance, fantasia e autodescoberta em uma jornada sobre amor, identidade e coragem.
Minha Opinião: Esse é um dos filmes mais encantadores e visualmente ricos do Studio Ghibli. A narrativa pode parecer caótica à primeira vista, mas essa fluidez onírica faz parte do charme e da proposta do filme. Howl e Sophie formam um dos casais mais carismáticos do estúdio, com uma relação construída de forma sensível e simbólica. A animação é exuberante e a trilha sonora eleva cada cena. É um filme sobre amor, transformação e rejeição à guerra, que cresce ainda mais com o tempo.
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6. O Castelo no Céu (1986)
Título original: Tenkū no Shiro Rapyuta
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 2h04min
Gênero: Aventura, Fantasia, Ficção Científica
Sinopse: Pazu e Sheeta se unem em uma aventura para proteger um misterioso cristal que guarda o segredo da lendária cidade flutuante de Laputa. Perseguidos por piratas e forças militares, eles atravessam céus e ruínas em busca desse antigo legado. O filme combina ação, fantasia e emoção para falar sobre amizade, poder e responsabilidade.
Minha Opinião: É uma aventura clássica e cheia de espíritos, que captura a essência do cinema de fantasia do Studio Ghibli. O filme encanta pelo senso de descoberta, pelos cenários grandiosos e pela sensação constante de maravilhamento. Pazu e Sheeta são protagonistas carismáticos, cuja amizade sustenta emocionalmente a narrativa. A mensagem sobre o uso responsável do poder e a crítica ao militarismo continuam extremamente atuais. É um filme envolvente, emocionante e atemporal.
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7. O Serviço de Entregas da Kiki (1989)
Título original: Majo no Takkyūbin
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 1h43min
Gênero: Fantasia
Sinopse: Kiki é uma jovem bruxa que sai de casa para viver sozinha e aprender a se virar no mundo, seguindo a tradição de seu povo. Em uma nova cidade, ela cria um serviço de entregas usando sua vassoura mágica enquanto enfrenta inseguranças e desafios pessoais. O filme retrata o amadurecimento, a autonomia e a importância de encontrar seu próprio lugar.
Minha Opinião: É um filme doce, inspirador e extremamente humano. Ele retrata o crescimento pessoal de forma sensível, mostrando que perder a confiança faz parte do processo de amadurecer. Kiki é uma protagonista cativante, com dúvidas e medos muito reais, o que cria forte identificação. A atmosfera acolhedora e o visual encantador tornam a experiência leve e reconfortante. É um filme que fala sobre independência, criatividade e o autoconhecimento com grande delicadeza.
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8. O Menino e a Garça (2023)
Título original: Kimitachi wa Dō Ikiru ka
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 2h04min
Gênero: Fantasia
Sinopse: Mahito, um jovem que perdeu a mãe durante a Segunda Guerra Mundial, muda-se com o pai para o campo e encontra uma misteriosa garça cinzenta. Quando eventos estranhos o conduzem a uma antiga torre, ele segue a garça e atravessa um mundo fantástico onde vivos e mortos coexistem. Nessa jornada épica, Mahito é desafiado a desvendar segredos desse universo e a verdade sobre si mesmo.
Minha Opinião: É uma obra profundamente pessoal, enigmática e madura de Hayao Miyazaki. O filme abandona narrativas convencionais para apostar em simbolismo, sonho e emoção crua. Nem tudo é explicado, e essa ambiguidade faz parte da experiência e do impacto da obra. Visualmente deslumbrante, ele reflete sobre luto, criação, legado e aceitação da vida. É um filme que divide opiniões, mas carrega a força de um verdadeiro testamento artístico.
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