Até um dia, meu querido Garu


Após 16 anos e 6 meses de parceria, muito dengo e tranquilidade, meu querido Garu virou estrelinha. É até estranho escrever sobre isso, acho que a minha ficha ainda não caiu, não parece real um mundo em que o Garu não exista mais.

Pensa num gato bonzinho e obediente… era o Garu. Nunca nos deu um pingo de trabalho, nem mesmo quando era filhote, indo contra tudo o que dizem de gatos laranjas que são arteiros, mas não o Garu. Claro que ele testava os limites para saber o que podia ou não fazer, mas bastava usar um tom de voz mais firme para ele entender quando não devia estar fazendo alguma coisa (descer as escadas do nosso andar, por exemplo) e já voltava atrás. Não precisava falar duas vezes, não precisava dar bronca, ele entendia muito bem e já se corrigia.

Nós já tínhamos a Lylú (na época com 2 anos) quando adotamos o Garu (com 1 mês) em 2009. A ideia era eles fazerem companhia um para o outro, mas a Lylú sempre foi uma gata brava, de poucas ideias haha, então não queria saber de brincar muito com o Garu, que acabou ficando mais na dele. Quando não estava dormindo o dia inteiro, ele adorava ficar na companhia principalmente da minha mãe. Estava sempre tentando subir no colo dela. Ele era o xodó dela.

Lylú e Garu viveram juntos por 11 anos

Garu, Luke e Léia viveram juntos por 5 anos

Ele e a Lylú passaram a maior parte da vida juntos, até ela falecer aos 13 anos em 2020, na época o Garu tinha 11 anos. Foi então que nós resolvemos adotar dois gatos filhotes ao mesmo tempo, então chegaram o Luke e a Léia em 2021. Como já era de se esperar, os filhotes brincavam e aprontavam bastante em casa, mas a maior surpresa mesmo foi o Garu, um gato idoso já com 11 anos na época, começar a brincar bastante com os dois gatinhos, mas principalmente com o Luke.

O Luke provocava o Garu que se deixava levar, então os dois ficavam um tempão correndo pela casa, um atrás do outro, até cansarem. Garu não era muito fã da Léia, mas se ele estivesse na pira de brincar, ele mesmo ia provocar a gata para ela também correr atrás dele. Enfim, era maravilhoso ver os três gatos brincando juntos, mas principalmente o Garu, isso mantinha ele ativo e saudável, apesar da idade avançada.

Quando eu saí de casa no início de 2025 e vim morar em Cuiabá, infelizmente passei a ter menos contato com o Garu e os outros dois gatinhos, que ficaram na casa da minha mãe em Guarulhos. Claro que eu queria ter todos eles comigo, mas não seria justo com eles tirá-los do lar onde cresceram e onde estão acostumados, por isso ficaram, mas meu coração doía de saudade deles todos os dias, afinal eu ajudei a criá-los e convivi com eles por muitos anos. Mas eles continuaram sendo muito bem cuidados e amados pela minha mãe e irmã.


Por fim, nos últimos meses de 2025 e primeiros meses de 2026 o Garu já começou a demonstrar fadiga e exaustão. Havia emagrecido bastante e estava muito abatido, segundo o que me contaram. Minha mãe e irmã começaram a levar ele no veterinário direto, além de dar vários remédios. Fizeram uma cama com cobertores para ele no chão da sala porque já não estava mais aguentando subir sozinho na cama da minha mãe e no sofá. Também colocaram a caixa de areia, ração e água perto dele, porque não estava mais aguentando andar até a cozinha para comer e até a área de serviço para usar a caixa de areia.

Foi difícil porque eu queria estar lá para ajudar, mas não tinha como morando há mais de 1.300km de distância.

Por fim no dia 15 de março de 2026, uma manhã de domingo, o Garu nos deixou. Eu recebi a notícia por mensagem da minha mãe e na hora não me aguentei, comecei a chorar e fui abraçada pelo meu namorado que me confortou. Nessas horas a distância é cruel. Eu queria estar com a minha família em Guarulhos, queria estar com o Garu nos momentos finais para fazer carinho nele, tranquilizá-lo enquanto ele faz a passagem.

Eu recebi várias mensagens de amigos e conhecidos me desejando condolências, pessoas que entendiam essa dor de perder um bichinho amado. Isso me acalentou um pouco, saber que não estou sozinha nessa dor, e por isso sou muito grata.

Eu tinha 19 anos quando o Garu nasceu em setembro de 2009 e agora estou com 35 anos quando ele nos deixou em março de 2026. Durante 16 anos ele foi muito amado por todos nós da família, e me senti muito privilegiada por me sentir amada por ele também nas pequenas coisas, quando ele se deitava no meu colo, apoiava a cabeça no meu braço e dormia tranquilo e em paz comigo.


Obrigada pelos 16 anos e 6 meses maravilhosos ao seu lado, Garu!
Descanse em paz, meu querido. Um dia nós vamos nos reencontrar. ♥

Garu
(15/09/2009 – 15/03/2026)


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