O segundo post sobre as Animações do Studio Ghibli reúne filmes que, embora muito elogiados, não costumam ser o primeiro contato do público com o estúdio, nem fazem parte do grupo mais popular e icônico como os filmes da primeira lista. Ao mesmo tempo, estão longe de ser obras menores, são filmes que exigem mais do espectador, seja emocionalmente, narrativamente ou tematicamente.
Muitos deles dialogam mais com o público jovem-adulto, explorando melancolia, memória, escolhas de vida, desencanto político, ética ambiental e o peso do tempo. Além disso, essa fase do estúdio revela:
- Protagonistas menos idealizados (Porco Rosso, Vidas ao Vento, Memórias de Ontem);
- Narrativas íntimas (Sussuros do Coração, Kaguya);
- Críticas sociais e ambientais menos “fantásticas”, porém mais diretas (Pom Poko, Nausicaä);
- Experimentações de tom e estética que fogem do padrão mais comercial (Kaguya, O Reino dos Gatos).
Por isso, esses filmes costumam ser descobertos e valorizados depois, quando o espectador já confia no estúdio e está disposto a ir além do encantamento imediato. Para muitos fãs, é justamente nesse grupo que o Ghibli se mostra mais humano, mais autoral e mais corajoso.
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9. O Conto da Princesa Kaguya (2013)
Título original: Kaguya-hime no Monogatari
Direção: Isao Takahata
Duração: 2h17min
Gênero: Drama, Fantasia
Sinopse: Inspirado em um antigo conto popular japonês, o filme acompanha a vida de uma menina encontrada dentro de um bambu que cresce de forma extraordinária. Criada como nobre, Kaguya luta entre as expectativas impostas pela sociedade e seu desejo de liberdade. A animação delicada narra uma história poética sobre identidade, efemeridade e o valor da vida.
Minha Opinião: É uma das obras mais artísticas e emocionais do Studio Ghibli. A animação em estilo de pintura tradicional japonesa é única e profundamente expressiva. O filme aborda temas como liberdade, imposições sociais e a passagem do tempo de forma sensível e dolorosa. É uma experiência contemplativa, que exige entrega emocional do espectador. Trata-se de um filme belíssimo, melancólico e inesquecível.
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10. Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992)
Título original: Kurenai no Buta
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 1h34min
Gênero: Aventura
Sinopse: Ambientado no período entre guerras, o filme acompanha Porco Rosso, um habilidoso piloto amaldiçoado a viver com aparência de porco. Vivendo como caçador de recompensas nos céus do Adriático, ele enfrenta piratas do ar e fantasmas do próprio passado. A história mistura aventura, melancolia e romance para falar sobre honra, liberdade e desencanto com a guerra.
Minha Opinião: É um dos filmes mais sofisticados e melancólicos do Studio Ghibli. Por trás da premissa excêntrica, há uma reflexão profunda sobre trauma, desencanto político e rejeição à guerra. O protagonista carrega um charme cínico que contrasta com sua forte noção de honra e humanidade. A ambientação no Adriático e as cenas aéreas são belíssimas e marcantes. É um filme maduro, poético e subestimado dentro da filmografia do estúdio.
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11. Sussurros do Coração (1995)
Título original: Mimi wo Sumaseba
Direção: Yoshifumi Kondō
Duração: 1h51min
Gênero: Drama
Sinopse: Shizuku, uma adolescente apaixonada por livros, começa a questionar seus sonhos e seu futuro ao conhecer um garoto misterioso. Inspirada por esse encontro, ela decide escrever sua própria história enquanto enfrenta inseguranças e expectativas. O filme retrata o despertar criativo, o primeiro amor e a busca por identidade.
Minha Opinião: Esse é um dos filmes mais sensíveis e identificáveis do estúdio. Ele retrata com muita honestidade as inseguranças da adolescência, especialmente o medo de não ser bom o bastante. A história valoriza o esforço, a disciplina e a paixão criativa, sem idealizar o processo artístico. O romance é doce, simples e cheio de significado emocional. Um filme intimista, inspirador e profundamente humano.
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12. O Reino dos Gatos (2002)
Título original: Neko no Ongaeshi
Direção: Hiroyuki Morita
Duração: 1h15min
Gênero: Fantasia
Sinopse: Haru, uma estudante comum, salva um gato e acaba sendo levada para um reino mágico habitado por felinos falantes. Lá, ela se vê envolvida em um plano para se tornar esposa do príncipe dos gatos. A aventura leve e fantástica fala sobre identidade, escolhas e coragem para ser quem se é.
Minha Opinião: É um filme leve, divertido e cheio de charme dentro do catálogo do Studio Ghibli. Ele não tem a mesma profundidade emocional de outras obras do estúdio, mas compensa com ritmo ágil e imaginação criativa. Os personagens são carismáticos, especialmente o Barão, que se tornou um ícone entre os fãs. A narrativa funciona bem como uma fábula sobre autonomia e amadurecimento. É uma aventura despretensiosa, agradável e encantadora.
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13. Nausicaä do Vale do Vento (1984)
Título original: Kaze no Tani no Naushika
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 1h57min
Gênero: Aventura, Fantasia
Sinopse: Em um mundo devastado pela poluição e por guerras passadas, a jovem princesa Nausicaä luta para proteger seu povo e a natureza. Ela busca compreender a misteriosa Floresta Tóxica e as criaturas que a habitam, em meio a conflitos entre reinos. O filme aborda empatia, pacifismo e o equilíbrio entre humanidade e meio ambiente.
Minha Opinião: É uma obra visionária e fundamental para o que viria a ser o Studio Ghibli (fundado no ano seguinte a esse filme). Ele impressiona pela construção de mundo rica e pela complexidade de seus temas ambientais e políticos. Nausicaä é uma protagonista forte, empática e inspiradora, muito à frente de seu tempo. A narrativa combina aventura épica com uma poderosa mensagem pacifista. É um clássico atemporal, relevante e profundamente impactante.
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14. Vidas ao Vento (2013)
Título original: Kaze Tachinu
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 2h06min
Gênero: Biográfico, Drama
Sinopse: Inspirado na vida de Jiro Horikoshi, o filme acompanha o sonho de um jovem engenheiro que deseja criar aviões belos e inovadores. Entre conquistas profissionais e desafios pessoais, ele vive um grande amor em um Japão marcado por transformações e guerra. A história reflete sobre paixão, sacrifício e o custo humano dos sonhos.
Minha Opinião: É um dos filmes mais maduros, melancólicos e reflexivos de Hayao Miyazaki. Ele foge da fantasia tradicional do estúdio para contar uma história profundamente humana e ambígua. O filme questiona até que ponto um sonho pessoal pode ser separado de suas consequências éticas. A animação é elegante, e a trilha sonora reforça o tom nostálgico e contemplativo. É uma obra sensível, bela e silenciosamente devastadora.
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15. Memórias de Ontem (1991)
Título original: Omoide Poro Poro
Direção: Isao Takahata
Duração: 1h58min
Gênero: Drama, Romance
Sinopse: Taeko, uma mulher adulta, revisita lembranças da infância enquanto passa férias no campo. Entre memórias do passado e experiências do presente, ela reflete sobre escolhas, expectativas e quem se tornou. O filme aborda amadurecimento, nostalgia e autoconhecimento de forma delicada e realista.
Minha Opinião: Um dos filmes mais sutis e adultos do estúdio. Ele se destaca pelo realismo emocional, fugindo da fantasia para explorar sentimentos cotidianos e universais. A narrativa alternando passado e presente é sensível e profundamente identificável. É um filme contemplativo, que exige atenção e empatia do espectador. Uma obra delicada, sincera e muitas vezes subestimada.
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16. Pom Poko: A Grande Batalha dos Guaxinins (1994)
Título original: Heisei Tanuki Gassen Ponpoko
Direção: Isao Takahata
Duração: 1h59min
Gênero: Comédia, Drama
Sinopse: Um grupo de guaxinins usa magia e transformação para tentar impedir a destruição de seu habitat causada pela expansão urbana. Enquanto elaboram planos cada vez mais ousados, eles enfrentam a difícil convivência entre tradição e progresso. O filme mistura humor, fantasia e crítica social para falar sobre meio ambiente e resistência cultural.
Minha Opinião: Um dos filmes mais ousados e peculiares do Studio Ghibli. Ele combina humor absurdo com uma crítica ambiental e social surpreendentemente dura. Apesar do tom leve em muitos momentos, o filme não evita consequências amargas e realistas. A narrativa pode parecer caótica, mas reflete bem o conflito entre tradição e modernidade. É uma obra estranha, corajosa e muito mais profunda do que aparenta.
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