Animações do Studio Ghibli – Parte 3


Na terceira a última lista das Animações do Studio Ghibli, essa terceira coletânea costuma ser vista como o grupo mais irregular e periférico do estúdio, reunindo filmes menores, experimentais ou de recepção dividida, mas que ajudam a entender os limites, riscos e caminhos alternativos do estúdio.

Eles fogem do núcleo popular e exploram formatos, tons e públicos diferentes. São obras menos grandiosas, às vezes irregulares, mas fundamentais para entender que o Ghibli não é um estúdio de uma única fórmula.

Esses são os filmes que muitos só apreciam depois de conhecer bem o estúdio, quando já não buscam apenas encantamento ou épico, mas sim curiosidade, intimismo ou experimentação. Para fãs, essa coletânea costuma ser a mais debatida – e também onde surgem os “favoritos inesperados”.


17. Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (2008)



Título original: Gake no Ue no Ponyo
Direção: Hayao Miyazaki
Duração: 1h41min
Gênero: Fantasia

Sinopse: Ponyo, um peixinho mágico, foge do mar e faz amizade com Sosuke, um garoto que vive à beira do oceano. O encontro entre os dois desencadeia eventos que afetam o equilíbrio da natureza. O filme celebra a amizade, a infância e o amor em sua forma mais pura e inocente.

Minha Opinião: É um dos filmes mais coloridos, livres e encantadores do Studio Ghibli. A animação vibrante e fluida transmite uma sensação constante de alegria e movimento. A história é simples, quase como um conto infantil, mas cheia de afeto e sinceridade. O filme valoriza o amor incondicional, a curiosidade e a pureza da infância. É uma obra leve, calorosa e visualmente deslumbrante.


18. Meus Vizinhos, os Yamadas (1999)



Título original: Hōhokekyo Tonari no Yamada-kun
Direção: Isao Takahata
Duração: 1h44min
Gênero: Comédia

Sinopse: O filme acompanha o cotidiano simples e caótico da família Yamada, retratando situações comuns da vida doméstica. Com humor e sensibilidade, pequenas cenas mostram conflitos, afetos e absurdos do dia a dia. A animação minimalista transforma o ordinário em algo universal e encantador.

Minha Opinião: É um filme original, leve e surpreendentemente afetuoso. Seu estilo visual simples foge do padrão Ghibli, mas combina perfeitamente com a proposta cotidiana da narrativa. O humor nasce das pequenas situações familiares, tornando tudo muito identificável. Não há uma grande história, mas sim um mosaico de momentos cheios de humanidade. É uma obra discreta, criativa e muitas vezes subestimada.


19. Da Colina Kokuriko (2011)



Título original: Kokuriko-zaka Kara
Direção: Goro Miyazaki
Duração: 1h32min
Gênero: Drama

Sinopse: Ambientado no Japão dos anos 1960, o filme acompanha dois estudantes que se unem para salvar um antigo clube escolar da demolição. Enquanto lutam por esse espaço, eles desenvolvem uma relação marcada por mistério e amadurecimento. A história aborda memória, identidade e as transformações de uma geração.

Minha Opinião: É um filme delicado, nostálgico e profundamente humano. Ele se destaca pela ambientação histórica e pela atenção aos pequenos gestos do cotidiano. O romance é contido e sensível, refletindo o amadurecimento emocional dos protagonistas. A narrativa valoriza memória, tradição e reconstrução após períodos difíceis. É uma obra tranquila, elegante e muitas vezes injustamente subestimada.


20. O Mundo dos Pequeninos (2010)



Título original: Kari-gurashi no Arietti
Direção: Hiromasa Yonebayashi
Duração: 1h35min
Gênero: Fantasia

Sinopse: Arrietty faz parte de um povo minúsculo que vive escondido nas casas humana, “pegando emprestado” objetos para sobreviver. Quando ela é vista por um garoto solitário, o delicado equilíbrio entre os dois mundos começa a mudar. O filme fala sobre amizade, convivência e a fragilidade das pequenas coisas.

Minha Opinião: É um filme delicado, visualmente encantador e intimista. Ele se destaca pela atenção aos detalhes e pela sensação constante de escala e descoberta. A história é simples, mas carrega uma melancolia suave sobre despedidas e mudanças inevitáveis. Arrietty é uma protagonista curiosa e corajosa, fácil de se apegar. É uma obra sensível, tranquila e muito bonita de se assistir.


21. As Memórias de Marnie (2014)



Título original: Omoide no Marnie
Direção: Hiromasa Yonebayashi
Duração: 1h43min
Gênero: Drama

Sinopse: Anna, uma garota solitária, passa um tempo no interior e conhece Marnie, uma jovem misteriosa que vive em uma antiga mansão. À medida que a amizade entre as duas se aprofunda, segredos do passado começam a vir à tona. O filme aborda solidão, pertencimento e cura emocional com sensibilidade.

Minha Opinião: É um dos filmes mais emocionais e contemplativos do Studio Ghibli. Ele constrói sua narrativa com delicadeza, explorando solidão, afeto e identidade de forma sensível. A atmosfera melancólica e o ritmo calmo reforçam o tom introspectivo da história. A relação entre Anna e Marnie é profunda e comovente, conduzindo o impacto emocional do filme. É uma obra tocante, silenciosa e cheia de ternura.


22. Contos de Terramar (2006)



Título original: Gedo Senki
Direção: Goro Miyazaki
Duração: 1h55min
Gênero: Fantasia

Sinopse: Em um mundo abalado pelo desequilíbrio mágico, o arquimago Ged investiga uma ameaça que afeta a própria ordem da vida. No caminho, ele encontra Arren, um jovem príncipe fugindo de um passado sombrio. O filme aborda medo, identidade e a busca por equilíbrio interior.

Minha Opinião: É um filme ambicioso, porém irregular, dentro do catálogo do Studio Ghibli. A animação e a trilha sonora são belas, mas a narrativa sofre com ritmo confuso e desenvolvimento apressado. Os temas de identidade, medo e redenção são interessantes, mas pouco explorados em profundidade. A adaptação do universo de Ursula K. Le Guin carece de coesão emocional. Ainda assim, é um filme visualmente marcante, embora abaixo do padrão mais alto do estúdio.


23. Eu Posso Ouvir o Oceano (1993)



Título original: Umi ga Kikoeru
Direção: Tomomi Mochizuki
Duração: 1h12min
Gênero: Drama

Sinopse: Durante uma viagem escolar, um jovem revive lembranças de sua adolescência e de um relacionamento marcado por conflitos e sentimentos não resolvidos. A história acompanha amizades, mal-entendidos e a complexidade das emoções juvenis. O filme retrata o amadurecimento emocional de forma realista e intimista.

Minha Opinião: É um dos filmes mais realistas e discretos associados ao Studio Ghibli. Ele foge totalmente da fantasia para focar em emoções adolescentes cruas e, às vezes, desconfortáveis. Os personagens são imperfeitos e humanos, o que pode dividir opiniões, mas reforça a autenticidade da história. O ritmo é calmo e introspectivo, quase contemplativo. É uma obra simples, sensível e muitas vezes incompreendida.


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